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Brasília,20/05/2026

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Formação de equipes se torna fator decisivo para o crescimento das empresas

Negócios que investem na capacitação profissional apresentam maior estabilidade e desempenho no longo prazo

O Mundo Hoje
Formação de equipes se torna fator decisivo para o crescimento das empresas Reprodução

A formação de equipes deixou de ser tratada apenas como uma pauta de recursos humanos e passou a ocupar lugar central nas estratégias de crescimento empresarial. Em um mercado pressionado por digitalização, aumento de competitividade, mudanças nas funções profissionais e necessidade de produtividade, empresas de diferentes portes têm percebido que contratar pessoas não basta. É preciso formar, orientar, acompanhar e desenvolver profissionais de maneira contínua.

O tema ganhou força nos últimos meses com a ampliação de iniciativas públicas e privadas voltadas à qualificação. Em março de 2026, o Ministério do Trabalho e Emprego lançou o QualificaProBR, plataforma integrada à Carteira de Trabalho Digital para conectar trabalhadores a cursos gratuitos com base em dados reais do mercado. Segundo o governo federal, a ferramenta reúne mais de 29.700 cursos, mais de 10 milhões de vagas e tem potencial de beneficiar mais de 80 milhões de usuários do aplicativo. 

Os números indicam uma mudança estrutural: a disputa empresarial não está apenas em tecnologia, capital ou acesso a mercado, mas na capacidade de transformar pessoas em equipes preparadas para executar com consistência. Para negócios em crescimento, especialmente pequenos e médios, a falta de treinamento costuma aparecer em problemas como retrabalho, queda de qualidade, baixa produtividade, conflitos internos, perda de clientes e dependência excessiva do dono.

A urgência também aparece nas projeções industriais. O Mapa do Trabalho Industrial 2025-2027, elaborado pelo Observatório Nacional da Indústria, estima a necessidade de formação de 14 milhões de trabalhadores no Brasil até 2027. Desse total, 2,2 milhões correspondem à formação inicial de novos profissionais e 11,8 milhões à atualização de trabalhadores que já estão no mercado.

Para Felipe Lico Oliveira Padrão, empreendedor e estrategista com trajetória ligada à estruturação de negócios, liderança operacional e capacitação profissional, a formação de equipes é um dos pontos que diferencia empresas que apenas crescem em volume daquelas que conseguem sustentar crescimento com organização. Sua experiência reúne atuação em ambiente bancário de grande escala, treinamento de profissionais, desenvolvimento de processos e gestão de negócios próprios, sempre com foco em estrutura, controle e execução. 

“Uma empresa cresce de verdade quando o conhecimento deixa de ficar concentrado em uma única pessoa. Enquanto tudo depende apenas do dono ou de poucos líderes, o negócio pode até vender mais, mas não ganha estabilidade. Equipe bem treinada cria padrão, reduz erro e permite que a operação funcione com mais previsibilidade”, avalia Felipe.

A visão de Felipe se conecta a uma tendência internacional. O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que empregadores esperam que 39% das habilidades essenciais dos trabalhadores mudem até 2030. O estudo também observa que metade da força de trabalho já havia concluído algum treinamento como parte de estratégias de aprendizagem de longo prazo, avanço em relação aos 41% registrados na edição anterior. 

Esse movimento reforça que capacitação não deve ser vista como evento pontual. Em mercados sujeitos a mudanças rápidas, formar equipes exige método: integração inicial, acompanhamento prático, comunicação clara, indicadores de desempenho e atualização constante. Sem isso, a empresa corre o risco de contratar pessoas, mas não desenvolver capacidade operacional suficiente para crescer.

“Quando uma pessoa entende o motivo do processo, ela executa melhor. No caso de prevenção de risco, por exemplo, não bastava ensinar uma etapa técnica. Era preciso fazer a equipe compreender o impacto daquela análise para evitar prejuízo e proteger a operação”, explica.

No ambiente das pequenas e médias empresas, o desafio é diferente, mas o princípio é o mesmo. Muitos negócios começam com equipes reduzidas, funções misturadas e decisões informais. Com o crescimento, a ausência de treinamento passa a gerar gargalos. O vendedor não entende a margem, o financeiro não conversa com o comercial, o atendimento não registra informações, a entrega não segue padrão e o gestor acaba corrigindo problemas em vez de liderar a expansão.

A relação entre qualificação e produtividade também foi destacada quando Sebrae e Senai apresentaram resultados do programa Brasil Mais Produtivo. Segundo a Agência Sebrae, empresas atendidas pelo programa registraram, em média, 27% de aumento de produtividade. A meta anunciada era engajar 200 mil empresas na plataforma nacional de produtividade e atender 80 mil micro e pequenas empresas até o fim do ano. 

No relatório global de aprendizagem do LinkedIn de 2025, a pressão por desenvolvimento de habilidades também aparece como preocupação relevante. A publicação aponta que 49% dos profissionais de aprendizagem e desenvolvimento sentem pressão diante de uma crise de competências. O levantamento ainda indica que organizações mais maduras em desenvolvimento de carreira tendem a apresentar maior confiança para atrair e reter talentos, além de visão mais positiva sobre lucratividade. 

Para empresas brasileiras, especialmente aquelas em fase de expansão, o recado é direto: equipe despreparada limita crescimento. Mesmo quando há demanda, produto e oportunidade, a operação pode perder força se as pessoas não forem treinadas para executar com padrão e autonomia. A ausência de formação transforma o gestor em apagador de incêndios e impede que o negócio avance com consistência.

Felipe resume o desafio em uma lógica simples: “Toda empresa quer pessoas boas, mas muitas não constroem o ambiente para que essas pessoas performem bem. Formação de equipe exige tempo, repetição, clareza e acompanhamento. Quando o empresário investe nisso, ele não está apenas treinando funcionários. Ele está construindo a capacidade futura da empresa.”





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