Seja bem-vindo
Brasília,27/03/2026

  • A +
  • A -
Publicidade

Padronização de processos se torna fator decisivo para a sobrevivência de restaurantes e cafés

Negócios que investem em método, controle operacional e treinamento contínuo apresentam maior resiliência em cenários econômicos instáveis

O Mundo Hoje
Padronização de processos se torna fator decisivo para a sobrevivência de restaurantes e cafés Reprodução

A palavra “padronização” deixou de ser jargão de consultoria e virou assunto de sobrevivência para restaurantes e cafés no Brasil. Com custos ainda pressionados e clientes mais sensíveis a preço e consistência, donos de estabelecimentos vêm percebendo que criatividade e boa comida não bastam quando a operação depende de improviso. A discussão ganhou força ao longo do ano justamente porque a instabilidade econômica elevou o preço do erro: cada perda de insumo, cada prato que sai fora do padrão e cada retrabalho na cozinha passaram a impactar diretamente caixa, reputação e recorrência.

Os números ajudam a explicar o tamanho do desafio. Em 2025, o IPCA geral fechou em 4,26%, mas a inflação de alimentação fora do lar acumulou 6,97% no ano, acima do índice cheio, sinalizando a pressão específica enfrentada por bares e restaurantes para recompor preços em um ambiente de margens historicamente apertadas. Quando o custo sobe e o cardápio não acompanha na mesma velocidade, a operação precisa “tirar dinheiro de dentro”: reduzir desperdício, controlar CMV, aumentar produtividade e estabilizar a entrega.

E desperdício, no Brasil, é um problema que já tem dimensão estimada. Cálculos divulgados pela Abrasel com base no WRI Brasil apontam que o país desperdiça cerca de 41 mil toneladas de alimentos por ano, e que 15% desse total ocorre em restaurantes, algo próximo de 6 mil toneladas. Em termos práticos, parte relevante dessa perda nasce de falhas bem conhecidas em cozinhas sem método: compras sem previsão, armazenamento sem etiquetagem, produções sem controle de validade, porcionamento variável e ausência de ficha técnica.

Além das perdas operacionais, existe a matemática do risco empresarial. Conteúdos técnicos do Sebrae sobre sobrevivência de empresas apontam que, entre pequenos negócios, há taxas relevantes de mortalidade em cinco anos, reforçando por que gestão e processo importam tanto quanto produto. Para muitos estabelecimentos, padronizar não é “engessar”, é reduzir a probabilidade de colapso por inconsistência diária.

É nesse contexto que o tema ganhou um rosto mais prático dentro do setor: Larissa Celeste Guerreiro Bichoffe Maçaneiro, chef pâtissier e bacharel em Gastronomia, com histórico direto em operação, controle e treinamento. A trajetória de Larissa inclui vivência em hotelaria de alto padrão e execução em volume, onde método é regra, não luxo.

“Quem não tem método, paga taxa de improviso todos os dias”. Padronizar é também criar um ambiente mais estável para reter equipe: “Quando cada um faz de um jeito, o time entra em conflito, o retrabalho vira rotina e a rotatividade aumenta. Processo protege pessoas e protege caixa”afirma Larissa Celeste.

A busca por previsibilidade tem aparecido também em levantamentos do setor. Em 2025, pesquisas da Abrasel mostraram oscilação relevante de empresas em lucro e em prejuízo em diferentes meses, reforçando como o ambiente ainda era sensível e como ganhos operacionais faziam diferença no resultado final. 

A mensagem mais forte para donos de restaurantes e cafés é simples e dura: padronização não é “manual bonito”, é execução diária. Em um mercado onde a inflação do consumo fora do lar ficou acima do índice geral, sobreviver virou sinônimo de controlar detalhe, medir rotina e treinar com consistência. 





COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.