Demanda por mão de obra aquece o setor da construção civil nos EUA
Empresas buscam lideranças operacionais preparadas para enfrentar desafios logísticos e culturais em canteiros cada vez mais exigentes
Reprodução Nos Estados Unidos, o setor da construção civil continua aquecido em 2023, impulsionado pelo crescimento populacional, pela demanda por habitação e pela recuperação pós-pandemia que estimulou novos investimentos em infraestrutura e reformas. Um dos pontos mais críticos para atender à crescente demanda tem sido a escassez de mão de obra qualificada — especialmente em funções operacionais e de liderança de campo.
Segundo dados do U.S. Bureau of Labor Statistics, até junho deste ano, havia mais de 350 mil vagas abertas no setor de construção no país. A dificuldade em preencher esses postos tem levado empresas a buscarem profissionais imigrantes, especialmente da América Latina, que vêm se destacando pela experiência prática, capacidade de adaptação e disciplina.
Entre os especialistas consultados para comentar essa tendência, Bruno Lins Monteiro Setti, profissional brasileiro que atuava nos Estados Unidos até aquele momento, oferece uma visão direta sobre o cenário. Com experiência em gestão de projetos e liderança de equipes operacionais, Bruno acompanhou de perto a transformação dos canteiros de obras americanos nos últimos anos.

Bruno Lins Monteiro Setti profissional do setor de construção civil
“A presença imigrante hoje não é apenas mão de obra. Muitos desses profissionais, inclusive brasileiros, já ocupam posições-chave de supervisão e controle de projetos. Eles trazem experiência real, aprendem rápido e enfrentam desafios com uma mentalidade muito resiliente”, afirma Bruno.
Entre 2019 e 2023, Bruno atuou em diversas frentes do setor de construção civil nos EUA, passando por funções operacionais e assumindo responsabilidades de gestão dentro de empresas locais, sobretudo na região de Connecticut. Em cargos como coordenador de compras e posteriormente gerente de projetos, ele ajudou a implementar práticas de organização e controle que elevaram a produtividade e a eficiência de pequenas e médias obras.
Segundo Bruno, as habilidades práticas mais valorizadas atualmente vão além da força física ou da execução técnica. “Hoje, um profissional que sabe se comunicar com equipes multiculturais, entender um cronograma básico e manter organização nos processos é visto com outros olhos. Isso vale muito mais do que apenas saber operar ferramentas”, diz.
O especialista também destaca o papel da liderança informal, comum entre imigrantes que, mesmo sem cargos oficiais, acabam conduzindo as equipes pelo exemplo. “Nos canteiros, quem resolve problema, entrega no prazo e respeita a equipe, lidera. Muitos brasileiros crescem assim, e isso é cada vez mais notado pelas empresas”, completa.
Com o ritmo acelerado de obras em regiões como Flórida, Texas e nordeste dos EUA, a tendência é que o mercado continue aberto para profissionais com experiência prática e postura de liderança. Segundo o portal Construction Dive, o investimento federal em infraestrutura continua pressionando a demanda por trabalhadores — especialmente em setores residenciais e comerciais de médio porte.
A expectativa é que esse cenário se mantenha pelos próximos anos, reforçando a importância de programas de capacitação e integração de trabalhadores imigrantes nos sistemas de gestão das obras. “A grande mudança não é só quem trabalha nas obras — mas como esses profissionais estão assumindo funções estratégicas dentro delas”, conclui Bruno.




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